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Silêncio da Morte
Estou sufocando. Tento puxar o ar seco que resta no ambiente, mas nada entra no meu corpo. Meus pulmões estão frágeis, quase se partindo ao meio. Estou sufocando. Me apoio em algo e seguro com força, a qual é quase inexistente no momento. Estou perecendo. Deito-me no chão e fecho os olhos, querendo que tudo aquilo acabe. Não sinto mais meus membros. De repente, sinto uma forte pontada no meu peito, como se houvesse espinhos querendo saltar do meu coração e perfurar toda a minha pele. No momento da pontada, levantei todo o meu tronco do chão, abri meus olhos de forma rápida, demonstrando a dor. E dei meu último suspiro, fazendo o barulho concedido por ele ecoar por todo o ambiente, trazendo posteriormente um silêncio pesado e doloroso. Um silêncio nunca rompido, o silêncio da morte.
- Apenas Uma Escritora Qualquer
“Ninguem vai ajudar você. Eu lamento ter que ser tão sincero agora! Mas essa dor que você está sentindo, ninguém vai tirar. Mesmo tendo na sua lista de amigos 1000 nomes, e cada um deles te descem um conselho, você não vai ouvir nenhum. Hoje, agora, nesse momento terrível que você vem vivendo, é VOCÊ por VOCÊ. E posso ser mas sincero ainda? Talvez nem você mesmo consiga se livrar disso tão rápido, talvez, mas nada custa tentar! Porque eu acredito que você não tem nada a perder não é mesmo? Pelo menos é isso que eu imagino passar pela sua cabeça agora! Não tem NADA a ser feito, você só tem que passar um dia após o outro, é o maximo que você pode fazer pra hoje. Vai tentando sobreviver às Segundas - Feiras, as Terças, Quartas… À Semana, ao mês, ao ano… à vida. Isso, vai tentando sobreviver a vida. Porque você ainda tem algum motivo pra lutar, eu não sei qual ainda, mas se você ainda está aqui, provavelmente tem um motivo. Sobreviva se não dê pra viver. Pode chorar, caso não dê pra sorrir. Quem disse que você é obrigado a fingir que está feliz sempre? Tranque - se no quarto se quiser, ninguém tem a obrigaçao de viver a merda de mundo que tem lá fora. Escreva, rabisque, desabafe, durma, isso… Durma, dizem que é o melhor remédio, só não se esqueça que o efeito colateral desse remédio é acordar! Tenta sobreviver, você ainda te um longo caminho dentro desse inferno dentro de você! De: EU Para: EU.”
— Landerson Rodrigues ( https://twitter.com/MiguelM_Oficial )
E de repente vem aquela vontade de desistir.
De acabar com toda essa dor existente dentro de mim.
E eu não tenho medo da morte.
Isso parece assustador para certas pessoas.
E poucas pessoas conseguem me entender e me compreender realmente.
O fato é que eu não sei quanto tempo ainda me resta.
Só sei que falta muito pouco para me verem morta dentro de um caixão.
Não me deixe, por favor, não me deixe ir, ultimamente tenho estado cansada, de todos que amo simplesmente sumirem, saírem da minha vida, todos os dias eu olho no espelho, sinto ódio do que vejo, sou um lixo.
Me pergunto porque fazem isso comigo, porque tanto sofrimento? Meu destino será a dor? Eu preciso de um abraço, do TEU abraço, e por favor, me salve desse nada em que me tornei…
Eu sei…
Eu sei que você não vai me ouvir, sei que não ouviria seus amigos ou até mesmo seus pais. Eu sei que essa dor que está sentindo não é superficial, e que ela dói a muito tempo, a anos e anos.
Eu sei que sua vontade é dormir para nunca mais acordar. Que é se deitar a espera de não ver o dia amanhecer, de não viver mais dias como este. Eu sei que você chora escondido, que as vezes se deita e suas lágrimas escorrem, que elas já sabem que caminho tomar. Sei que a imagem que você passa não é na realidade o que está dentro de ti, que seus sorrisos não tem o mesmo valor das pessoas felizes na rua.
Eu sei que você transborda, mas não é de amor. Você transborda de tristeza, de solidão ao meio dessa 7 bilhões de pessoas.
Eu sei que a ajuda que você precisa, nem você sabe mais qual é. Sei que já tentou de diversas formas e nenhuma deu certo.
Eu sei o que você sente quando as pessoas dizem que voce é assim só para chamar a atenção, que você precisa de tratamento por ser louca. Sei também que você se considera uma louca, mas uma louca sem loucuras.
Sei de todo esse vazio que sente, essa falta de vontade de viver e sorrir. Eu também sei que você deseja a felicidade, que você tenta fazer com que as coisas sejam felizes.
Sei que está cansada de tomar esses remédios, que está cansada dessa vida monótona, desses seus dias iguais, dessas suas tentativas frustradas.
Eu sei que você já tentou mais de uma vez ir para o outro lado, suas cicatrizes confirmam o que você não quer que ninguém saiba.
Eu sei de tudo isso e um pouco mais.
Sei que somos orgulhosas, cabeça dura, e todos adjetivos de pessoas que não querem conselhos, apenas querem que as coisas mudem. Nós sabemos o quanto já tentamos e nos frustramos com tentativas falhas, com esperança de algo que ainda não ocorreu. Mas nós também sabemos que vida não quer nos levar, que ainda temos algo em comum aqui, que talvez isso passe um dia. Mas e se esse dia não chegar? E se esse dia demorar demais e a gente desistir antes? E se esperarmos por algo e nos frustrarmos de novo?
Eu e você sabemos que não vale tanto a pena esperar. Os dias passam, os meses voam, e os anos nos matam.
O que esperar de amanhã?
Talvez seja um daqueles dias em que acordamos bem, nos vemos no espelho e esquecemos que temos cicatrizes.
Ou talvez seja mais um dia que desejamos partir, que não teremos coragem de nos ver, que as cicatrizes doem como se estivessem sido feitas naquele instante. Um dia comum para nós, um dia sem fim, um dia que desejamos o ponto final.
Eu sei, você sabe, nós sabemos que não vale tanto a pena esperar pela mudança, e que só estamos esperando as horas passarem, sem esperança de melhoras.
Mas não se esqueça, você ainda tem a mim. Dentro de você. Eu sei que você sabe disso.
Apenas feche os olhos e espere a escuridão da morte.
Quem Eu Sou?
Hoje eu acordei cansada.
Cansada de ir dormir chorando; cansada de sentir um vazio tão grande no peito, que não consigo nem explicar; cansada de me sentir sozinha; cansada de guardar tudo para mim; cansada de não querer ver ninguém; cansada de fingir estar bem; cansada de desistir das coisas que amava fazer; cansada de me sentir cansada.
Encontrei-me em um momento da minha vida em que estava triste. Não apenas triste, mas deprimida. E fico me perguntando quando isso vai passar… Qual é o momento em que irei acordar e perceber que este devastante sentimento foi embora? Acontece que não é assim que funciona. Ele não simplesmente some, ele vai indo embora aos poucos. Mas ainda não cheguei nessa fase.
Hoje eu acordei cansada. E queria desistir de tudo. Não queria ir à escola e não queria ver ninguém. Não queria tomar banho e também não queria comer. Não queria vestir minha farda e junto com ela uma máscara para esconder minha dor. Não queria pegar o ônibus e sentir que as pessoas estavam percebendo a minha máscara caindo. Não queria chegar na escola e fingir o tempo todo que estava bem, colocando um sorriso no rosto enquanto meu mundo estava se desmoronando aos poucos. Mas tive que fazer isso novamente.
Essa doença está me matando lentamente. Eu parei de ler, parei minhas aulas de violão e parei de escrever um livro, coisas que eu amava fazer. Parei de fazer tantas coisas bobas, que no final faz de nós quem somos. Chegou um tempo em que não consegui mais me concentrar nas aulas, por consequência acabei parando de me dedicar aos estudos também. Eu tentei continuar a fazer essas coisas, juro que tentei… Mas chegou uma hora que eu simplesmente não conseguia mais.
Apesar de desistir de praticamente tudo, estava sobrecarregada. Ficava impaciente e nervosa na maior parte do tempo. Preocupando-me com coisa fúteis e sendo totalmente pessimista. As crises de choro são mais constantes nessas horas. Guardo tudo dentro do meu peito e tomo o maior cuidado para que ninguém suspeite de nada.
Chegou uma época em que comecei a esquecer de tudo. Não conseguia lembrar de praticamente nada e isso estava me prejudicando muito. Esquecia de provas marcadas, trabalhos, relatórios, conversas, rostos… Resumindo, coisas que faziam parte do meu dia a dia.
Estou caindo cada vez mais fundo. E quanto mais fundo, mais escuro fica. Não enxergo mais a luz que o sol emite sob a superfície. Estou perdendo as esperanças de que vou encontrar-me um dia.
Tenho medo de desperdiçar toda a minha adolescência. Também tenho medo de esquecer o rosto de pessoas que já foram embora. Receio perder os que amo por não conseguir lidar com eles. Estou cada vez mais sozinha e não quero me sentir dessa forma.
Grito por socorro em silêncio. Será que alguém está me ouvindo? Será que alguém está me entendendo? Será que alguém pode apenas me abraçar e dizer que tudo vai ficar bem? Ou será que irão simplesmente desistir de mim?
Esta luta é diária. E é uma luta que só eu posso vencer. Mas é difícil sair do fundo do poço quando não tem nenhuma escada ou corda para me ajudar a subir.
Hoje foi mais um dia em que eu deixei a depressão vencer. E provavelmente não será o último.
- Apenas Uma Escritora Qualquer
Frase Referência: “A depressão é o último estágio da dor humana” (Augusto Cury)



